Crise do coronavírus: é hora de ajudar! Como doar?

Por on 09/04/2020

Para as pessoas que moram em favela, que são 13,5 milhões de brasileiros, o Covid-19 ainda é percebido como doença de rico. Veio para o Brasil com os “ricos” que viajam para o exterior, mas provavelmente quem mais vai sofrer e morrer serão os “pobres” das favelas. Eles serão as principais vítimas. Além do fato de não estarem levando a sério a doença (praticamente ainda não estão vendo casos de pessoas infectadas ao redor deles, só pela TV), as medidas de prevenção do contágio não são viáveis para a realidade deles.

Sem dúvida, a crise do coronavírus desnuda os nossos graves problemas sociais, que gritam por soluções estruturantes. Que inegavelmente precisam ser enfrentadas com firmeza e decisão. Mas esse não é mais o momento adequado para criticar e brigar contra erros cometidos. Ao contrário, estamos frente a uma situação emergencial muito séria, e a hora é de união e de olhar para frente, em que cada um deve buscar ajudar da melhor maneira que estiver a seu alcance. Ser responsável com as pessoas que estão próximas e dependem de você; e também ser filantropo para com pessoas e causas que precisam muito de ajuda nesse momento.

Em webinar organizado pela FDC em 06/04/2020, Gilson Rodrigues foi muito firme nos seus argumentos e no pedido de socorro para os moradores das favelas, frente a essa crise do coronavírus. Disse ele:

Como os idosos das favelas vão se dar ao luxo de fazer quarentena? Isso é coisa de rico. A família toda vive amontoada nos barracos, avós e netos. Como é que você vai isolar uma pessoa que mora em uma casa com um cômodo ou dois, e tem dez pessoas na família?  Higienizar, como? Se em muitas favelas ainda falta água. Passar álcool gel nas mãos a toda hora é impossível, pois se falta dinheiro até para comida…..

Faça isolamento, não vá para as ruas. Trabalhe de casa, em home-office. Essas orientações  das autoridades públicas não estão sendo dadas para a realidade das favelas e periferias. Se não vamos trabalhar, como vamos ter dinheiro para comer no dia seguinte? Para nós da favela, parece até  fake news …… os ônibus e trens da periferia continuam circulando lotados. Na favela, só  não vai trabalhar quem já não tem mesmo como trabalhar, ou que os patrões estão dispensando –  e o pior, sem salário!

O que pode acontecer é que vão crescer tanto os casos de contaminação do coronavírus nas favelas que “eles” vão trancar as favelas, botar o Exército, ninguém sai e ninguém entra. É uma situação que infelizmente se vive hoje em dia, é assim que acontece.

As favelas e as periferias parecem lugares totalmente esquecidos dos governantes. É como se nós, da favela, fôssemos invisíveis para eles. Só nos enxergam em ocasião de eleição. Nós, da favela, estamos pedindo socorro!

Meu principal apelo: não vá para a sua casa em quarentena, e deixe o povão na rua. O que queremos é principalmente política pública, uma política específica para as favelas, começando pelo saneamento básico.

Mas agora vamos precisar muito do apoio das pessoas, peço muito que elas contribuam por meio de campanhas. Quem puder contribuir mais, contribua mais. Precisamos muito contar com a sociedade civil organizada para nos ajudar: as nossas famílias estão precisando de alimentos, itens de higiene, e sobretudo vamos precisar muito de atendimento de saúde.

*Por Gilson Rodrigues. Ele é um dos líderes e fundadores do G-10 das Favelas, bloco que reúne empreendedores sociais das 10 principais favelas do Brasil. É também presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, favela de São Paulo onde vivem em torno de 100 mil pessoas.

Veja também a entrevista de Gilson Rodrigues em BBC News Brasil, 18.03.2020

E então, como nós podemos ajudar?

O site G1 (que é atualizado diariamente, todo final de tarde) apresenta de forma sistematizada as diversas iniciativas que estão sendo conduzidas por entidades da sociedade civil para arrecadar doações, e assim poder ajudar as pessoas mais vulneráveis nesse momento de crise do coronavírus.

UMA OPORTUNIDADE PARA VOCÊ ESCOLHER A ORGANIZAÇÃO, E CONTRIBUIR.

É UM MOMENTO DIFÍCIL, E TODOS AJUDANDO UM POUCO, PODEREMOS AJUDAR MUITO!

 


CAMPANHAS NACIONAIS, ESTADUAIS OU REGIONAIS: 

CAMPANHAS NACIONAIS

Atados: plataforma social que reúne diversas campanhas de diferentes organizações do Brasil todo para arrecadação de doações e trabalho voluntário durante a pandemia do novo coronavírus. O projeto tem o objetivo de mobilizar a população para impulsionar transformações. Para ajudar, basta acessar o site do Atados e escolher a campanha que deseja participarData da inclusão: 3/4

 

Unicef: no Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância está fazendo a ponte entre empresas que querem doar itens de saúde e higiene e as comunidades mais vulneráveis em todo o país. O fundo também está focando esforços na disseminação de informações confiáveis para a população, em especial famílias com crianças. E está trabalhando com governos, empresas e sociedade civil para mitigar o impacto da crise e garantir a continuidade dos serviços – saúde, educação, assistência social e proteção contra a violência – adaptados à nova realidade. Pessoas físicas e empresas que quiserem doar podem entrar em contato pelo site ou pelo telefone 0800 605 2020. Data da inclusão: 27/3

 

Central Única das Favelas: a Cufa busca apoio para moradores de comunidades. As doações podem ser feitas em dinheiro por meio de contas bancárias e/ou vaquinha on-line. Os recursos serão usados para comprar alimentos e itens de higiene, como sabão em pó, sabonete e papel higiênico. Saiba como doarData da inclusão: 23/3

 

Mães da Favela: iniciativa ligada à Central Única das Favelas (Cufa), que reúne 500 comunidades em todo o país, para arrecadar recursos que serão doados a mães de família moradoras de favelas. As beneficiadas receberão, por dois meses, um auxílio de R$ 120 batizado de “vale-mãe”. Saiba mais aquiData da inclusão: 5/4

 

Fundo Emergencial para a Saúde: o Fundo Emergencial para a Saúde recebe doações em dinheiro que serão repassadas aos seguintes hospitais públicos e instituições de ciência e tecnologia envolvidas com o combate ao coronavírus: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Fundação Faculdade de Medicina e Comunitas. Saiba como doarData da inclusão: 23/3

 

#juntostransformamos: campanha criada pela corretora XP para arrecadar recursos para a compra de alimentos. As arrecadações serão encaminhadas para famílias prejudicadas por falta de trabalho durante o período de isolamento. Saiba como doar aquiData da inclusão: 27/3

 

Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas: a organização lançou uma campanha nacional para arrecadar produtos de higiene, alimentos e dinheiro para ajudar quem vive em comunidades e bairros periféricos. Em Belo Horizonte, as doações devem ser feitas em dois postos: na Ocupação Carolina Maria de Jesus (rua Rio de Janeiro, 109, centro) e Creche Tia Carminha (Avenida Perimetral, 154, Barreiro). Leia maisData da inclusão: 26/3

 

Arrecadação Solidária: o projeto é uma parceria do programa Pátria Voluntária, do governo, com a Fundação Banco do Brasil. O objetivo é arrecadar recursos para entidades sem fins lucrativos que atuam junto a grupos vulneráveis da sociedade. As doações poderão ser feitas por pessoas físicas e jurídicas por meio de dois sites na internet: www.gov.br/todosportodos ou patriavoluntaria.org. O valor mínimo é de R$ 30. Para facilitar as doações, as operações também poderão ser feitas por cartão de crédito e transferências bancárias. A operacionalização dos depósitos será realizada pela Fundação Banco do Brasil. O Banco do Brasil anunciou uma conta para receber doações: Banco do Brasil (001); agência: 1607-1; conta corrente: 19.019-5. Leia maisData da inclusão: 7/4

 

CAMPANHAS ESTADUAIS OU REGIONAIS

Rio de Janeiro

Ação da Cidadania: o movimento social faz arrecadações de comida e produtos de higiene que devem ir para 4 mil família de comunidades pobres do Rio e da Baixada Fluminense – vindas de empresas e pessoas, as doações somam 40 toneladas. Na quarta-feira (25), a doação virou jantar na casa de muitas famílias da Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. Saiba como doarData da inclusão: 26/3

 

SOS Favelas – Viva Rioprojeto distribui cestas básicas para 12 comunidades. Os recursos para a compra das cestas são coletados através do site da iniciativa. O projeto é uma parceria da ONG Viva Rio; da Academia Pérolas Negras, uma entidade esportiva; e do VRB, plataforma de investimento com impacto social. Data da inclusão: 2/4

 

Instituto Lar: a entidade trabalha na assistência a pessoas que vivem nas ruas da Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. Por causa do surto do coronavírus, os participantes suspenderam as atividades e passaram a oferecer refeições diariamente e banho uma vez por semana. O local precisa de doações de alimentos, produtos de higiene ou ajuda financeira. É necessário levar as doações até a instituição. Saiba mais aquiData da inclusão: 3/4

 

Entre o Céu e a Favela: com o objetivo de ajudar crianças, jovens e mulheres do Morro da Providência, que fica no centro do Rio de Janeiro , o projeto está arrecadando itens de limpeza e alimentos. Saiba mais aquiData da inclusão: 3/4

 

São Paulo

Fundo emergencial da Gerando Falcões: a Rede Gerando Falcões abriu um fundo emergencial para garantir a alimentação de pessoas pobres. A organização atua em periferias e favelas de São Paulo com projetos de esporte e cultura para crianças e adolescentes, e de qualificação profissional para jovens e adultos. O dinheiro poderá ser usado por famílias que receberão um cartão para a compra de alimento. Saiba como doarData da inclusão: 26/3

 

Hospital São Paulo: o Hospital São Paulo pede doações de materiais como máscara, álcool gel, aventais e óculos de proteção. O objetivo é atender os profissionais da instituição, que também solicita ajuda com dinheiro. Materiais devem ser encaminhados para o seguinte endereço: Rua Borges Lagoa, 570. O funcionamento é das 7h às 18h. Informações para as doações são encontradas neste link.
Data da inclusão: 24/3

 

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo: residentes e profissionais de outras áreas criaram o movimento #VemPraGuerra, que tem o objetivo de arrecadar até R$ 10 milhões para a instituição. O dinheiro será usado para adquirir insumos necessários para a proteção de funcionários e pacientes. Informações para as doações são encontradas neste linkData da inclusão: 25/3

 

Fogão na Rua: projeto que atende moradores de rua de São Paulo desde 2016. Uma vez por mês, voluntários do grupo distribuem refeições, produtos de higiene (escova e pasta de dentes, sabonete, papel higiênico e absorvente), cobertores e roupas para pessoas de rua. Neste mês, o projeto começou a distribuir álcool em gel. Saiba como participar aquiData da inclusão: 26/3

 

Unicamp: a Universidade Estadual de Campinas criou o Núcleo de Voluntariado para que os interessados possam ajudar em tarefas que incluem desde atendimentos telefônicos a pessoas isoladas até forças tarefas para buscar doações financeiras, de bens e produtos para a área de saúde da Unicamp. Saiba como ajudarData da inclusão: 24/3

 

Rede de Solidariedade: a campanha foi criada pela prefeitura de Araraquara para unir pessoas que queiram ajudar na cidade. Os cadastrados poderão doar alimentos não perecíveis e itens de limpeza e higiene pessoal para as famílias economicamente mais vulneráveis, doentes crônicos e pessoas em situação de vulnerabilidade social.Segundo a prefeitura, os interessados em contribuir com as doações podem ligar para o 0800 773 1145 para receber as orientações necessárias. Data da inclusão: 2/4

 

Instituto Verdescola: a ONG que atua em São Sebastião, no Litoral norte de São Paulo, está promovendo ações como doação de cestas básicas, campanhas de vacinação, distribuição de álcool gel e confecção de máscaras para atender os moradores da cidade. Saiba como doar. Os interessados em contribuir também podem ligar para o número (11) 3038-4300. Data da inclusão: 8/4

 

Minas Gerais

UFMG: a Universidade Federal de Minas Gerais, junto com o Instituto dos Advogados de Minas Gerais (IAMG) e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), faz campanha de financiamento coletivo para arrecadar recursos para aquisição de medicamentos, insumos, equipamentos e serviços destinados aos hospitais de Clínicas da UFMG, Risoleta Tolentino Neves e UPA Centro-Sul, os dois últimos gerenciados pela Universidade e pela Fundep. Saiba como doarData da inclusão: 24/3

 

Espalhe Cestas: iniciativa do Movimento Maisha e que atende a região da Grande Belo Horizonte. Através de uma “vaquinha” online, o grupo pede doações, em dinheiro. O montante arrecadado é destinado à compra de cestas básicas que são distribuídas em comunidades da região. Segundo o grupo, em média, cada cesta básica ao custo de R$ 100,00 reais atende uma família de 4 pessoas durante um mês. Saiba mais aquiData da inclusão: 26/3

 

Bahia

Obras Sociais Irmã Dulce (Osid): desde quinta-feira (26), a associação oferece comida para pessoas sem teto na cidade de Salvador (BA). Os interessados em participar da ação doando alimentos devem entrar em contato através do site da instituição. A ação deve durar 15 dias. Data da inclusão: 30/3

 

Distrito Federal

Legião da Boa Vontade (LBV): o grupo arrecada doações para famílias no Distrito Federal. A entidade recebe alimentos não perecíveis, cestas básicas e kits de limpeza. As doações podem ser entregues diretamente no Centro Comunitário de Assistência Social da LBV, que fica no SGAS 915, lote 74. A entidade também se oferece para buscar as doações. Mais informações podem ser encontradas no siteData da inclusão: 7/4


Fonte: G1 – Como doar para o combate ao coronavírusPosição: 08.04.2020

Se você encontrar alguma informação desatualizada, entre em contato conosco pelo Fale com o G1.

 

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MARIA CECÍLIA PRATES RODRIGUES
Rio de Janeiro - Brasil

Maria Cecília é economista e mestre em economia pela UFMG, e doutora em administração pela FGV /Ebape (RJ). A área social sempre foi o foco de suas pesquisas durante o período em que esteve como pesquisadora na FGV , e depois em seus trabalhos de monitoria, consultoria, pesquisa e voluntariado.

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